Por Janaina Barros e Stephanie Lopes 

Desde que a pandemia do coronavírus começou as opiniões se dividiram na sociedade. Enquanto alguns economistas defendem a necessidade de liberar recursos para a economia por meio do auxílio emergencial ou o programa Renda Brasil, o que segundo eles iria incentivar o consumo. Outros questionam se colocar tanto dinheiro na economia pode fazer com que o Brasil quebre o teto de gastos e uma nova crise fiscal seja instalada.

Mas o que significa esse risco fiscal? Veja bem, quando um país gasta muito mais do que pode pagar ou arrecadar por meio de impostos este entra em um estado de déficit. Para evitar esse tipo de problema, todo ano o Brasil estabelece um teto de gastos. É dizer quanto de recursos realmente pode gastar ou movimentar na economia nesse período. Quando certos eventos são capazes de afetar as contas públicas entramos no risco fiscal.

O Brasil vive em déficit, gastando mais do que pode, há pelo menos 6 anos. Em 2019, por exemplo, as contas do governo tiveram um déficit de mais de R$ 95 bilhões. Em 2020, o governo acabou de estimar em julho que seu déficit será de R$ 828,6 bilhões. Ou seja, não é de hoje que o nosso país vive no vermelho. E a pandemia apenas piorou a situação.

Para André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica o problema da dívida pública não surgiu na pandemia, apenas se agravou. Ele explica que em  2019 as dívidas do país  representavam 85% do nosso PIB (produção e soma de riquezas nacionais). Em 2020, com o coronavírus, a proporção subiu para 97%. “Aumentou a dívida do país, a cobrança de impostos caiu tudo isso na pandemia”, diz.

Apesar deste conflito, Galhardo avalia o auxílio emergencial como algo positivo para tirar o Brasil da crise. “O governo deve gastar até o final deste ano R$250 bilhões apenas com auxílio emergencial mas isso gera um efeito multiplicador”, comenta. De acordo com o economista, quando uma pessoa recebe o benefício de R$ 600, ela usa o recurso para ir ao mercado. Quando o mercado vê que seus produtos acabam pela demanda, então faz um novo pedido ao distribuidor. E assim que a roda gira na economia. 

“Esses R$ 250 bilhões que o governo quer pagar representam pelo menos 7% do consumo total de um semestre no Brasil. Sem auxílio as pessoas compram menos, o mercado vende menos e a indústria produz menos. E o governo recebe menos imposto”, defende.

Em entrevista ao Giro Econômico, o economista afirmou que o Brasil não deve sair desta crise tão cedo, a recuperação pode levar muitos anos. E enquanto a economia não se recupera e a pandemia continua, Galhardo avalia que o auxílio emergencial é apenas um paliativo para acalmar a dor da população nesta crise, porém, não é a solução aos problemas de desemprego, endividamento e desigualdade que devem ficar ainda mais complicados nos próximos trimestres.

“Pelo menos 7% dos brasileiros ganhavam menos de meio salário mínimo, em média R$ 523, antes da pandemia começar. Para estas pessoas receber um auxílio emergencial de R$ 600 é de grande ajuda”, defende. No entanto, afirma que um paliativo ameniza a dor a curto prazo, mas isso não muda a situação econômica do Brasil. Veja a entrevista completa no vídeo

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